Audiência pública expõe desafios do turismo e redefine metas para Olímpia até 2029

AUDIÊNCIAS E SOLENIDADES - Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2026


Audiência pública expõe desafios do turismo e redefine metas para Olímpia até 2029

A Estância Turística de Olímpia realizou nesta sexta-feira (23) a audiência pública da 2ª Revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico (PDDT), documento que orienta as políticas públicas do setor para o período de 2026 a 2029. O encontro, aberto à participação popular na Câmara Municipal, reuniu representantes do poder público, vereadores, empresários do turismo, hotelaria, parques, pousadas e sociedade civil.

 

 

O objetivo foi apresentar a atualização do plano, exigida por lei a cada três anos, e debater diretrizes para um setor que responde por cerca de 65% da economia local, gera aproximadamente 10 mil empregos diretos e indiretos e movimenta R$ 1,2 bilhão por ano no município.

 

Estiveram presentes os vereadores Renato Barrera, Gustavo Pimenta, Sônia Guerra, Sandro Pires e Otávio Hial.

 

 

Turismo como eixo estrutural da economia

 

Durante a apresentação técnica, o consultor Rodrigo Marini destacou que o PDDT é um instrumento estratégico de longo prazo, construído a partir de dados consolidados do Observatório do Turismo.

 

“O plano diretor é revisado a cada três anos e passa a valer de 2026 até 2029. Ele orienta as ações, define metas e organiza o desenvolvimento turístico de forma sustentável, evitando crescimento desordenado e melhorando a qualidade de vida da população”, afirmou.

 

 

Segundo os dados apresentados:

 

  1. Olímpia recebeu 4.377.111 visitantes em 2025, alta de 10% em relação a 2024;
  2.  
  3. Apenas nos quatro primeiros meses do ano passado, foram 1,5 milhão de turistas;
  4.  
  5. O município possui 34 mil leitos, ficando atrás apenas da capital paulista;
  6.  
  7. A permanência média do visitante passou de três para quatro dias;
  8.  
  9. O turismo mantém Olímpia na categoria A do Mapa do Turismo Brasileiro.

 

Marini ressaltou que o uso de dados técnicos tem sido decisivo para orientar políticas públicas e investimentos privados. “Hoje temos o Observatório institucionalizado por lei, com dados auditáveis e confiáveis. Isso muda completamente a capacidade de planejamento do município e do próprio trade.”

 

 

Diretrizes e ações previstas para 2026–2029

 

A revisão do PDDT organiza as ações em três grupos: permanentes, mantidas e novas iniciativas. Entre os principais eixos estão sustentabilidade, qualificação profissional, redução da sazonalidade, infraestrutura urbana e integração público-privada.

 

 

Entre as ações previstas estão:

 

  • Atualização do plano de marketing turístico;
  •  
  • Criação e consolidação de um calendário anual de eventos;
  •  
  • Implantação da Semana do Turismo;
  •  
  • Incentivo à criação de um Convention Bureau;
  •  
  • Estruturação de centro de convenções via parceria público-privada;
  •  
  • Revitalização do Recinto do Folclore;
  •  
  • Ampliação da Vila Brasil;
  •  
  • Reativação do Centro de Atendimento ao Turista (CAT);
  •  
  • Implantação de selos de boas práticas ambientais, culturais e de serviços;
  •  
  • Programas contínuos de capacitação profissional;
  •  
  • Acompanhamento do Aeroporto Internacional de Olímpia.

 

“O plano não é da gestão, é da cidade”, afirma secretário

 

Ao encerrar a apresentação, o secretário de Turismo Humberto Puttini reforçou o caráter institucional do plano.

 

 

“O turismo hoje é o que sustenta a economia de Olímpia. Os empregos, as oportunidades, o protagonismo da cidade vêm dessa atividade. O plano diretor existe para garantir que isso continue, independentemente de quem esteja no governo”, declarou.

 

Puttini afirmou que o documento protege o futuro do município. “Nós não somos o poder público, nós estamos. Amanhã pode entrar alguém que não goste do turismo. Sem um plano, todo esse trabalho pode se perder.”

 

 

Questionamentos do trade expõem gargalos

 

Cultura turística e resistência do comércio

 

Empresários relataram resistência de parte da população e do comércio tradicional ao funcionamento em horários compatíveis com uma cidade turística.

 

“O turismo em Olímpia é recente. Somos a primeira geração. Em destinos consolidados, a cultura passa de pai para filho. Aqui, precisamos trabalhar informação e educação”, disse o secretário.

 

Segundo ele, a estratégia é começar pelas escolas. “A criança entende. Ela vê que pode sair de um emprego simples e chegar a cargos de direção. Tudo passa por capacitação.”

 

 

Sustentabilidade e uso da água

 

A importância da água, elemento central para os parques e atrativos, foi tema recorrente, exposto pela vereadora Sônia Guerra.

 

 

“Uma cidade que vive da água precisa cuidar da água”, afirmou Puttini, ao explicar a criação de um selo de sustentabilidade. “Não é punição. É conscientização, com critérios técnicos, monitoramento e apoio às empresas.”

 

Marini complementou que o tema já está incorporado ao diagnóstico do plano, com projetos de monitoramento, recuperação de nascentes e parcerias com órgãos técnicos.

 

Airbnb, casas de temporada e concorrência

 

Representantes de pousadas questionaram a concorrência considerada desleal das casas de temporada.

 

O secretário esclareceu que a tributação do Airbnb já foi regulamentada e que as casas precisam de cadastro específico. “A penalização ocorre quando há publicidade sem registro. A fiscalização depende também da sociedade, por meio da ouvidoria.”

 

 

Moradia e dificuldade para atrair trabalhadores

 

Hotéis e resorts relataram dificuldade para alojar funcionários devido à retenção de imóveis para aluguel de temporada.

 

“Não é justo ter imóveis fechados enquanto falta moradia. Por isso, o município avançou na tributação progressiva de imóveis ociosos e trabalha para ampliar a oferta de habitação popular”, afirmou Puttini.

 

 

Queda atípica de ocupação em janeiro

 

Empresários apontaram queda abrupta de ocupação após o dia 10 de janeiro.

 

“O diagnóstico preliminar indica restrição financeira das famílias e proximidade do Carnaval. Não foi um fenômeno exclusivo de Olímpia”, disse o secretário, citando relatos semelhantes de outros destinos turísticos.

 

 

Excesso de leitos e novos empreendimentos

 

A ampliação contínua da oferta de leitos também gerou preocupação.

 

“O município não pode proibir investimentos, mas orienta. Hoje não faz sentido hotel dormitório. Faz sentido produto diferenciado, experiência. Isso é baseado em dados, não em opinião”, afirmou Puttini.

 

 

Zona Azul e imagem negativa ao turista

 

Hotéis da região central relataram desgaste com multas aplicadas logo pela manhã.

 

“Não é o valor da multa, é a experiência ruim que o hóspede leva”, disse uma representante.

 

O secretário afirmou que a demanda será levada aos setores responsáveis para avaliação.

 

 

Bloco de serviço

 

O que: Audiência Pública da 2ª Revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico
Período do plano: 2026 a 2029
Responsáveis: Secretaria Municipal de Turismo, COMTUR e parceiros técnicos
Base legal: Lei Municipal nº 4.505/2020

 

Câmara Municipal


Olímpia